ESG
ESG depois do discurso: onde impacto encontra crescimento
7 de outubro de 2026

ESG nas empresas: quando o tema passa a fazer parte das decisões
Durante muito tempo, falar sobre ESG nas empresas esteve associado à criação de compromissos e iniciativas específicas. A discussão atual coloca uma questão mais profunda: qual é o espaço que sustentabilidade, inclusão e governança ocupam quando chega o momento de tomar uma decisão?
Foi a partir dessa provocação que começou o primeiro painel do Talks BTO+, “ESG depois do discurso: onde impacto encontra crescimento”. A conversa foi mediada por Luciana Leite e reuniu Andréa Aoás, Natalia Reia, Bianca Amodeo e Mariah, profissionais com experiências distintas em inclusão, comunicação, Brand Experience, sustentabilidade e governança.
Na abertura, Luciana chamou atenção justamente para essa mudança de perspectiva. Para ela, os conceitos de ambiental, social e governança só ganham sentido quando são vivenciados ao longo do tempo. O avanço está em fazer com que o ESG deixe de ser apenas um elemento dentro da organização e passe a ocupar um lugar nas decisões.
Essa mudança altera a própria maneira de pensar o tema. Em vez de perguntar apenas quais iniciativas uma empresa pode desenvolver, passa a ser necessário entender como as áreas podem participar das escolhas que já fazem parte do funcionamento do negócio.

Inclusão nas empresas pode estar dentro da própria operação
A inclusão foi um dos caminhos mais concretos apresentados durante o painel. Andréa Aoás, à frente da Tribos Aoás, trouxe para a conversa a possibilidade de conectar inclusão às necessidades reais das empresas, mostrando que a contratação de pessoas com deficiência pode fazer parte de diferentes etapas e serviços de uma operação.
Entre os exemplos apresentados estão atividades como recepção, fotografia e produção de brindes. A própria BTO+ já utiliza esse tipo de solução em projetos, incluindo produtos desenvolvidos por pessoas com deficiência.
A lógica apresentada por Andréa amplia a discussão sobre inclusão porque aproxima o tema do negócio. Uma empresa não precisa necessariamente criar uma iniciativa paralela para começar a incorporar práticas inclusivas. Ela pode olhar para aquilo que já precisa contratar, produzir ou desenvolver e encontrar, nessas próprias oportunidades para construir relações diferentes.
Essa perspectiva também apareceu quando o painel discutiu experiências em que a participação da Tribos passou a fazer parte da operação de grandes eventos, como o Camarote Bar Brahma. Nesse contexto, ela agrega na experiência oferecida ao público.
Sustentabilidade empresarial precisa chegar à operação
Se o ESG pretende influenciar decisões, sustentabilidade não pode ficar restrita às apresentações institucionais ou a uma área específica da empresa. Ela precisa encontrar espaço na operação, onde escolhas relacionadas a materiais, resíduos, fornecedores e processos efetivamente acontecem.
Bianca Amodeo trouxe essa dimensão para o debate ao falar sobre a implantação da coleta seletiva e sobre a importância de o tema ser acompanhado pela liderança. A discussão reforçou que sustentabilidade precisa fazer parte da consciência de diferentes áreas e não depender exclusivamente de uma pessoa responsável por cobrar a execução.
Essa questão ganha uma dimensão ainda maior quando pensamos em eventos. Uma experiência envolve uma cadeia extensa de fornecedores, equipes, materiais e estruturas, e muitas dessas escolhas são definidas muito antes de o público chegar ao espaço.
Foi a partir dessa perspectiva que Natalia Reia trouxe para o painel a relação entre ESG e Brand Experience. Em projetos da BTO+, questões ambientais, gestão de resíduos, inclusão e acessibilidade passaram a ser consideradas dentro da própria construção das experiências.
O ponto importante é que sustentabilidade não precisa aparecer como uma camada adicional depois que o projeto está desenhado. Ela pode participar do planejamento desde o início e influenciar a forma como uma experiência será construída.
ESG e Brand Experience: quando a experiência também comunica
A relação entre ESG e Brand Experience talvez seja uma das discussões mais relevantes para quem trabalha com marcas e experiências. Afinal, uma experiência é resultado de uma cadeia de decisões que envolve pessoas, fornecedores, infraestrutura, acessibilidade, materiais e operação.
Natalia apresentou um exemplo do Universo TOTVS, um dos maiores projetos da BTO+, em que foi criada uma estrutura específica para atender pessoas que declarassem necessidades relacionadas à participação no evento.
O crescimento desse número ano a ano ajuda a ilustrar que quando uma estrutura é criada e comunicada, ela passa a ser reconhecida como parte possível daquela experiência.
Para Natalia, decisões relacionadas à inclusão podem contribuir para a qualidade da entrega e para o resultado do negócio. Essa visão aproxima ESG da estratégia e tira o tema de uma lógica em que impacto e retorno financeiro precisam ser tratados como objetivos incompatíveis.
No Brand Experience, essa relação é especialmente importante porque a experiência materializa escolhas. Aquilo que uma marca decide fazer, priorizar ou estruturar aparece na forma como as pessoas vivem aquele momento.
Governança corporativa transforma intenção em processo
A dimensão da governança trouxe outra camada para a discussão. Se sustentabilidade e inclusão precisam chegar à operação, é necessário também criar estruturas capazes de organizar, acompanhar e dar continuidade a essas práticas.
Mariah Aoás, que atua na área de governança do Grupo DVT, contou como o processo de certificação ajudou a organização a perceber que muitas práticas relacionadas à sustentabilidade, inclusão, gestão de resíduos e acessibilidade já faziam parte do cotidiano. O desafio estava em estruturar essas iniciativas e criar um processo de melhoria contínua.
A experiência mostra que governança pode funcionar como uma maneira de organizar aquilo que a empresa já faz, definir objetivos, acompanhar resultados e identificar onde ainda existe espaço para evolução.
Essa estrutura é especialmente relevante para empresas que trabalham com projetos complexos, nos quais diferentes áreas e fornecedores precisam atuar de maneira coordenada. Sem processos claros, uma boa intenção pode depender demais de quem está conduzindo determinado projeto. Com uma estrutura compartilhada, a prática tem mais condições de permanecer.
ESG na prática também passa pelas condições de trabalho
Uma das discussões mais concretas do painel surgiu a partir de um exemplo relacionado à alimentação de profissionais em eventos.
A situação envolvia cinco pessoas com doença celíaca que poderiam passar horas trabalhando sem encontrar uma opção adequada de alimentação. Como foi colocado durante a conversa, não basta garantir que exista um intervalo para refeição se as condições oferecidas não permitem que determinadas pessoas façam essa refeição.
O exemplo ajuda a compreender uma questão importante sobre ESG na prática: políticas e compromissos só produzem efeito quando conseguem responder às necessidades reais das pessoas envolvidas.
No universo de eventos, isso significa olhar para as condições de trabalho com a mesma atenção dedicada à experiência do público. Alimentação, acessibilidade, estrutura, segurança e respeito às diferentes necessidades fazem parte da qualidade de uma entrega.
O que o primeiro painel do Talks BTO+ deixa como provocação
A conversa conduzida por Luciana Leite mostrou que a discussão sobre ESG nas empresas está cada vez mais ligada à forma como as organizações tomam decisões e constroem suas relações. Andrea Aoás, Natalia Reia, Bianca Amodeo e Mariah Aoás partiram de experiências diferentes, mas encontraram um ponto comum: para que sustentabilidade, inclusão e governança produzam mudanças consistentes, precisam estar próximas de quem decide e de quem executa.
Eventos e experiências materializam decisões estratégicas em ambientes nos quais pessoas, marcas, fornecedores e comunidades se encontram. Por isso, incorporar ESG a esses projetos significa considerar impacto desde o planejamento e entender que a experiência começa muito antes da chegada do público.
O grande desafio está em transformar o tema em prática cotidiana. Quando inclusão entra na cadeia de fornecedores, sustentabilidade participa do desenho de uma experiência, governança organiza processos e as condições de trabalho são tratadas como parte da responsabilidade do projeto, ESG passa a ocupar um lugar diferente dentro do negócio.
perguntas frequentes
ESG é uma abordagem que considera aspectos ambientais, sociais e de governança na atuação de uma organização. Na prática, o conceito envolve incorporar essas questões às decisões, aos processos e às relações que fazem parte do negócio.
Colocar ESG em prática significa transformar princípios em decisões e processos concretos. Isso pode envolver desde a escolha de fornecedores e a gestão de resíduos até questões de inclusão, acessibilidade, condições de trabalho, indicadores e governança.
Brand Experience envolve a criação de experiências que aproximam pessoas e marcas. Como essas experiências dependem de diferentes fornecedores, equipes, estruturas e recursos, decisões relacionadas a sustentabilidade, inclusão e governança podem fazer parte diretamente de sua construção.
A inclusão pode estar presente em diferentes pontos da operação, inclusive na contratação de pessoas com deficiência e de fornecedores que oferecem produtos e serviços desenvolvidos por esse público. Dessa forma, a inclusão passa a fazer parte das relações e das decisões do negócio.
A governança ajuda a transformar compromissos em processos que podem ser organizados, acompanhados e aprimorados. Ela contribui para definir responsabilidades, estabelecer indicadores e criar condições para que as práticas tenham continuidade.
Eventos podem considerar ESG desde o planejamento, incorporando questões relacionadas à acessibilidade, gestão de resíduos, sustentabilidade, fornecedores e condições de trabalho. A discussão também envolve pensar em como diferentes públicos poderão participar e vivenciar a experiência.
Sim. O debate realizado no BTO+ Talks mostrou que práticas relacionadas a inclusão, sustentabilidade e governança podem estar conectadas à operação e à estratégia. Quando essas questões são incorporadas às decisões, podem contribuir para melhorar processos, fortalecer relações e criar novas oportunidades de negócio.
Kaio Emmanuel é publicitário com 10 anos de experiência em Marketing Digital, transitando entre agência e marketing interno em empresas de diferentes portes. Especialista em Comunicação Digital, já atuou em Performance, SEO, Planejamento Estratégico, Análise de Dados e Social Media, unindo estratégia e resultado em projetos de engajamento, vendas e branding. Hoje também cursa Psicologia, com interesse particular em bem-estar, diversidade e inclusão.